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O mundo vive uma crise de criatividade.

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Entenda porque se faz necessária uma revolução

Embora a criatividade seja tão relevante quanto a alfabetização, o sistema educacional da maioria dos países investe pouco na formação de espíritos inventivos. Ken Robinson, especialista em criatividade, descreve os princípios por trás de um pensamento original, e explica porque é fundamental incluir a criatividade nas escolas como prioridade para o desenvolvimento de todo profissional e cidadão.

Muitas pessoas passam a vida inteira sem ter noção de que talentos podem ter, ou se tem algum para citar. Encontro todo tipo de pessoa que não acha que é realmente boa em algo.

Ken Robinson é um líder cultural visionário que defende em seu último livro Escolas Criativas: A revolução popular que transforma a educação,  o fim do sistema educacional industrial obsoleto e propõe uma abordagem altamente personalizada, orgânica, que se baseia em recursos tecnológicos e profissionais sem precedentes para envolver todos os alunos. Ele reconhece que tecnologias associadas aos talentos extraordinários de professores, fornecem uma oportunidade para revolucionar a educação.

Eu encorajo vocês a se envolverem nisso porque é vital para o futuro de nossas crianças. Temos de mudar um modelo industrial de educação para um modelo agrícola, onde cada escola pode prosperar amanhã. É aí que as crianças experimentam a vida. Ou em casa, se for onde elas escolherem ser educadas com suas famílias ou amigos.”

Criatividade precisa ser valorizada nas escolas

Durante sua longa carreira, Ken Robinson observou que todas as crianças têm um enorme talento e o desperdiçamos, impiedosamente. Por isso a valorização da criatividade precisa assumir o mesmo status da alfabetização. Vale lembrar aqui a origem da palavra escola:

Alguns podem até duvidar, mas antigamente a escola era encarada como uma bela diversão. Na Grécia Clássica, estudar era uma atividade possível apenas para aqueles privilegiados que não precisavam trabalhar. Daí que o nome scholé, depois schola no latim, designava lazer, descanso ou alguma atividade feita na hora do descanso, como… estudar! Do que se fazia nessa hora derivou o local onde as pessoas se divertiam, quer dizer, estudavam. Portanto, quando fazemos da escola um lugar prazeroso, estamos, de fato, retornando às origens.

Para exemplificar a importância de se valorizar a criatividade nas escolas, Ken Robinson conta a história de uma menina de seis anos que costumava sentar-se no fundo da sala, onde ficava desenhando o tempo todo. Ao conversar com o professor da garotinha, Robinson ouviu dele que ela nunca prestava atenção à aula. Até que um dia, esse professor aproximou-se da menina e perguntou o que ela estava desenhando. A menina respondeu: “Estou desenhando um quadro de Deus”. E o professor disse: “Mas ninguém sabe como é Deus”. E a garota disse: “Vão saber em um minuto!”

Crianças não tem medo de errar

Quando o filho de Robinson tinha quatro anos, ele e sua esposa foram assistir à apresentação da festa de Natal na escola. Seu filho interpretava José e quando chegou o momento da entrada dos três reis magos, o primeiro menino disse: “Eu lhe trouxe ouro.” E o segundo garoto disse: “Trago-te mirra”. E o terceiro, ao esquecer sua fala que seria’eu trago incenso’, disse: “Frank mandou isso.”

A platéia inteira achou uma graça a naturalidade daquela criança. Isso acontece porque as crianças não têm medo de errar, o que não significa que a falta de medo de errar seja o mesmo que ser criativo. No entanto, se não estivermos preparados para errar, nunca faremos nada de original.  Essa é a questão: quando chegamos à fase adulta, perdemos a capacidade de errar. O sistema de educação, seja em casa ou na escola, nos ensina que não podemos errar. E em consequência, passamos a estigmatizar os erros. É uma forma cruel de sabotar a capacidade criativa das pessoas. 

Todas as crianças nascem artistas, o problema é permanecer artista enquanto crescemos
Todas as crianças nascem artistas, o problema é permanecer artista enquanto crescemos

Picasso disse que “todas as crianças nascem artistas, o problema é permanecer artista enquanto crescemos”. Muitos talentos brilhantes e pessoas, extraordinariamente, criativas acreditaram não ser boas o suficiente por não serem valorizadas na escola e, até mesmo, estigmatizadas. “Não podemos mais nos dar ao luxo de continuar por esse caminho”, afirma Ken Robinson. 

A causa, conforme ele explica, reside nos sistemas de ensino que seguem a mesma hierarquia de disciplinas, não importa qual seja o país. No topo dessa hierarquia estão matemática e línguas, em seguida, ciências humanas, e por último, as artes. E até no ensino de artes, existe outra classe de hierarquia. Arte e música tem status mais elevado nas escolas do que teatro e dança.

Não existe em qualquer sistema de educação a valorização do ensino de dança todos os dias para as crianças da mesma maneira como se ensina matemática. Já se perguntou por quê? A matemática é importante, mas a dança também. As crianças dançam o tempo todo se for permitido. O problema é que toda essa energia irrita os adultos que não sabem como lidar, pois também foram podados. A primeira reação é fazer a criança parar de divertir-se, de ser espontânea e de alegrar-se. Como é possível ‘castrar’ de forma tão dramática a felicidade daqueles que mais se ama, e que nada de ruim estão fazendo? As crianças estão apenas expressando sua energia, vitalidade e alegria.

Atitudes como essa, por parte dos pais ou pessoas responsáveis pelas crianças, terão péssima repercussão na vida adulta, quando já nem se lembrarão mais do que fizeram e nem dos motivos que contribuíram para a frustração e inibição dos talentos de seus filhos.

Chegou a hora de transformar um sistema educacional Chegou a hora de transformar um sistema educacional baseado em habilidades acadêmicas em habilidades humanas.

Robinson faz uma observação importante: “Quando as crianças crescem, começamos a educá-las, progressivamente, da cintura para cima. E nos concentramos em suas cabeças como se o propósito da educação em todo o mundo fosse produzir professores universitários.”

O sistema educacional é baseado na ideia de habilidades acadêmicas. Você sabe por que? Antes do século XIX não havia sistemas públicos de educação. Eles surgiram para atender às necessidades do período industrial, enraizando-se, portanto, em dois conceitos básicos: os assuntos mais úteis para o trabalho e a preparação do indivíduo para cursar a universidade.

Sendo assim, arte, música e dança foram desprezadas porque não faziam parte do trabalho reconhecido. Acabaram relegadas às classes menos favorecidas. Hoje, o mercado inverteu-se. Com foco no equilíbrio entre gestão e cultura, a universidade de Berkeley, na Califórnia, incorporou teatro, filosofia e outras disciplinas às escolas de negócios em seu curso de formação de executivos. Sabe por que? Porque as atribuições de um diretor financeiro, por exemplo, foram radicalmente ampliadas. A ênfase na técnica migrou para a qualificação no relacionamento com as equipes e as companhias privilegiam executivos com um perfil mais estratégico e capacidade de lidar com problemas complexos que desafiam profissionais a ter uma visão da ‘floresta e não somente da árvore’, o que significa versatilidade para se adaptar, perceber, conhecer e agir em diferentes áreas das organizações. Para obter essa performance, duas habilidades precisam ser valorizadas e treinadas: criatividade e o sem medo de errar.

Dançar, pintar, desenhar e tocar um instrumentoDançar, pintar, desenhar e tocar um instrumento passam a ser habilidades extremamente valorizadas no mundo contemporâneo, que espera de seus líderes capacidade de improvisação, empatia para lidar com equipes e naturalidade para falar em público. Quem faz teatro, dança ou toca um instrumento sabe que errar faz parte da arte. E dessa forma, a criatividade também se expande.

Por todas essas razões, Robinson alerta que estamos no limiar de rompimentos revolucionários com um sistema prolongado de educação preparatória para a vida acadêmica, que não faz mais qualquer sentido, a menos que, a pessoa não possa prescindir daquela certificação para ingressar na vida acadêmica por escolha de carreira.

Até que a metamorfose completa ocorra, mais pessoas em todo o mundo irão se graduar nos próximos 30 anos, segundo a UNESCO, através desse modelo de educação que segue igual desde os primórdios de sua história. Com a diferença de que hoje as pessoas se dão conta de que essas graduações não valem nada. 

Robinson reforça o fato ao lembrar que quando era estudante, quem tinha um diploma, tinha emprego. Agora os jovens, mesmo os graduados, estão indo para casa jogar videogames, porque embora tenham graduação e mestrado, não conseguem uma colocação no mercado de trabalho. “Hoje, a exigência é ser PhD. Trata-se de um processo de inflação acadêmica que indica que toda a estrutura da educação está mudando sob nossos pés.”

Precisamos repensar nossa visão de inteligência

Precisamos repensar nossa visão de inteligência

Sabemos três coisas sobre inteligência: Pensamos o mundo da maneira como o experimentamos, ou seja, visualmente, auditivamente e cinestesicamente. Em segundo lugar, a inteligência é dinâmica – se você olhar para as interações de um cérebro humano, notará que a inteligência é interativa. O cérebro não é dividido em compartimentos. E a terceira é que a inteligência é distinta. Exemplo disso é a história de Gillian Lynne, que Robinson conheceu por ocasião de uma série de entrevistas realizadas para o seu livro. 

Gillian Lynne é uma das mais famosas coreógrafas do mundo – coreografou Cats, Fantasma da Ópera, entre outras -, além de ser membro do Conselho do The Royal Ballet.  Durante um almoço com Gillian, ele perguntou como ela começara sua carreira de bailarina. Ou como se percebera bailarina? Ela respondeu que quando estava na escola, se sentia sem esperança, porque a direção da escola mandou um comunicado aos seus pais, dizendo que achavam que ela tinha um distúrbio de aprendizagem, pois não conseguia se concentrar. Estava sempre inquieta. Hoje diriam que ela sofria de TDAH. Mas isso foi na década de 1930, e ainda não tinham inventado a doença. 

De qualquer maneira, ela foi obrigada a visitar um especialistaDe qualquer maneira, ela foi obrigada a visitar um especialista, juntamente com seus pais. A escola alegava que ela perturbava os colegas e sua lição de casa estava sempre atrasada. Imaginem! Uma criança de oito anos! No final da conversa, o médico pediu aos pais para ter uma conversa a sós com a menina, aconselhando-os que apenas observassem do lado de fora da sala.

Ao retornar, ele ligou o rádio e ficou sentado em sua mesa. No minuto em que saiu da sala, ela começou a dançar no ritmo da música. Os pais observaram e, o médico disse a mãe: “Sra. Lynne, sua filha Gillian não está doente. Ela é uma bailarina. Leve-a para uma escola de dança.”

Robinson perguntou o que aconteceu depois e Gillian disse: “Minha mãe me colocou na escola de dança. Eu não posso descrever como foi maravilhoso ver aquela sala cheia de meninas como eu. Pessoas que não podiam ficar paradas. Precisávamos nos mover para pensar.”

Gillian Lynne
Gillian Lynne

Todos que se movem para pensar foram fazer ballet ou tocar jazz.

Todos que se movem para pensar foram fazer ballet ou tocar jazz. Exceto os que foram castrados, irremediavelmente, um sem número de pessoas que amargaram anos de angústia e frustração. Gillian, ao contrário, realizou seu sonho e tornou-se solista do Royal Ballet School, e teve uma carreira maravilhosa.

Fundou a Gillian Lynne Dance Company e conheceu Andrew Lloyd Webber, compositor e produtor musical britânico, oriundo de uma família de músicos, e por muitos considerado um dos compositores teatrais de maior renome do fim do século XX. Foi ao lado de Lloyd que Gillian trabalhou em Cats e Fantasma da Ópera. Hoje se sente feliz e realizada por ter dado alegria a milhões de pessoas, além de ter se tornado multimilionária. Imaginem se aquele médico tivesse dado a ela uma medicação para se acalmar…

Robinson conclui: “Creio que a nossa única esperança para o futuro é a adoção de uma nova concepção de ecologia humana. Aquela em que começamos a reconstituir nossa concepção da riqueza da capacidade humana”. A verdade é que nosso sistema de ensino tem minado nossas mentes ao longo do caminho e para o futuro não nos servirá. Temos sim que repensar os princípios fundamentais sobre os quais estamos educando nossos filhos.

Jonas Salk tem uma citação maravilhosa: ‘Se todos os insetos desaparecessem, toda a vida na Terra teria fim em  50 anos. Se todos os seres humanos desaparecessem da Terra, dentro de 50 anos todas as formas de vida floresceriam’. 

Celebramos o dom da imaginação humana

Temos que ter cuidado agora e usar o presente com sabedoria para evitar o cenário para o qual Ken Robinson nos alerta. E a única maneira de fazer isso é libertar a riqueza das capacidades criativas dos nossos filhos com a esperança de que eles sejam o que são. Nossa tarefa é educar todo o seu ser, para que possam enfrentar esse futuro. Nós, provavelmente, não veremos esse futuro, mas eles verão. E nosso trabalho é ajudá-los a fazer algo melhor.

Todos os dias, em qualquer lugar, nossas crianças espalham seus sonhos sob nossos pés. Devemos caminhar, delicadamente, sobre esses sonhos.

Se você percebe a necessidade de uma revolução no sistema de educação nas escolas, compartilhe seu ponto de vista aqui. Deixe seu comentário e vamos fortalecer esse movimento que é de todas as famílias, professores, educadores e cidadãos.

Um grande abraço,

Maria Alice Guedes

Veja mais: Dicas criativas para você nunca ficar sem dinheiro

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Maria Alice Guedes

Jornalista e escritora, autora do livro Desnudeios - Um retrato do homem moderno em suas relações de afeto.

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