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Mudanças no mapa global de produção da moda

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O mapa global de produção da moda passou por uma série de mudanças na última década. Os custos trabalhistas mais baixos na África e em partes da Ásia começaram a atrair grandes players da moda para novas fronteiras. Confecções e indústrias têxteis chinesas estão cada vez mais enraizadas nas cadeias de abastecimento do Sudeste Asiático, em parcerias estratégicas com a Indonésia e Bangladesh, principalmente em países como o Vietnã, Mianmar e Camboja.

O Oriente Médio também tem sido alvo dessa migração, através das Zonas Industriais Qualificadas localizadas em estados vizinhos a Israel, como a Jordânia, onde as indústrias ganham direitos de acesso isento ao mercado americano. Empresas chinesas vem movendo suas fábricas têxteis também para os estados norte-americanos, como Carolina do Sul, onde o algodão é relativamente acessível.

As fábricas chinesas também estão se expandindo por vários países africanos. Grandes empresas de calçados já operam na Etiópia e Nigéria, enquanto empresas têxteis, estão entrando no Quénia, Uganda e Tanzânia. Para muitos críticos dos Direitos Humanos, o “despejo” do vestuário barato chinês é uma ameaça para os produtores locais e descrevem a expansão das fábricas chinesas em países menos desenvolvidos como uma “corrida cruel” em busca de mão de obra barata.

De qualquer forma, os chineses não estão sozinhos em sua busca por fronteiras mais acessíveis. Em torno da África, fábricas e usinas chinesas concorrem cada vez mais com produtores indianos, turcos e outros, enquanto na Ásia estão competindo com os europeus, americanos, sul-coreanos e as empresas japonesas.

(Esses foram alguns dos temas abordados no evento VOICES, promovido pelo The Business of Fashion)

HONG KONG – Evento VOICES – Business of Fashion – Robb Young, Editor de Mercado Global da Business of Fashion, Wen Zhou, CEO da 3.1 Phillip Lim, Gerhard Flatz, Diretor da KTC e Rob Sinclair, Chefe de Operações da Li Fung Sourcing. Foto de Keith Tsuji

Produtividade  e melhor qualidade

Apesar de toda essa atividade em outros países, especialistas continuam confiantes de que nem as filiais internacionais, nem concorrentes internacionais irão comprometer a posição dominante da China a curto prazo.

 Os chineses criaram uma infra-estrutura incrível da cadeia de abastecimento. Agora, a questão é saber quem mais ao redor do mundo pode copiá-los. Não acredito que alguém será capaz de chegar nem perto, por causa da verticalidade que existe na China. Eles têm algodão, fiação, tingimento, experiência têxtil, tudo “, explicou Rob Sinclair, chefe de operações da LF Sourcing, divisão global de supply chain da Li & Fung,  empresa que administra cadeias de suprimentos globais de alto volume para algumas das maiores marcas do mundo da moda e varejistas através de uma rede de 15.000 fornecedores em 40 países.

Rob Sinclair acredita também que o único país que poderia competir, seria a Índia, porque tem todos os elos da cadeia de abastecimento e uma enorme mão de obra, como a da China, mas em termos de exportações, a Índia ainda está distante no ranking, por sua infra-estrutura, explica.

De acordo com o estudo da Deloitte, Global Manufacturing Competitiveness 2016 (Competitividade de Manufatura Global), a China continua no topo, porém ameaçada pelos EUA de ultrapassá-la nos próximos cinco anos. É o Ocidente lutando para competir com o Oriente, em preço, qualidade e velocidade.

Reação do mercado chinês

Nos últimos 25 anos, a participação da produção industrial global da China subiu de 3% para quase 25% em valor, e se levar em conta as cadeias de abastecimento que as empresas chinesas conduzem em todas as outras partes da Ásia, esse número sobe para quase 50%, de acordo com dados divulgados pelo jornal inglês The Economist.

Quando o segmento é a produção industrial de moda global, a participação da China é ainda maior: exporta 60% dos sapatos e mais de 43% das roupas do mundo. A China tornou-se indispensável para designers, marcas e varejistas em todo o mundo. Produz hoje cerca de oito vezes mais roupa do que a sua rival mais próxima – Itália. No entanto, a China, de fato colossal, em calçados e indústria têxtil enfrenta, atualmente, um coquetel de desafios.

Com custos elevados de produção e aumento dos salários – numa ponta -, e concorrência dos centros de abastecimento mais baratos na Ásia e na África que se somam à desaceleração econômica global – na outra, o governo chinês começa a introduzir políticas para refrear a economia, desde a produção até os serviços, e criar um ambiente regulatório mais duro, evidenciando que o setor de fabricação de moda da China está sob pressão.

Inovação e Especialização 

Os fabricantes chineses estão se tornando mais enxutos e, tecnologicamente, mais avançados e inovadores. Enquanto alguns encontram o sucesso através da diversificação, outros estão investindo em estratégias de maior especialização. A ordem dessa nova geração é buscar upgrades de alta tecnologia, ao invés de economias de escala, ou seja, produzir menos unidades com margens de lucro mais elevadas.

A emblemática KTC, uma das maiores fabricantes de roupas esportivas do mundo, é um exemplo do novo paradigma de produção chinesa. Parou de produzir para gigantes como Adidas, dez anos atrás, quando se afastou do mercado de massa sportswear e passou a atrair clientes fabricantes dos segmentos de ciclismo, montanhismo, trekking, vela, esqui e esportes radicais das marcas Rapha, Mammut, Mustang Survival e outras.

Temos que trabalhar numa espécie de micro-economia na fabricação, longe daquelas escalonáveis linhas de confecção. A nossa maior sala de amostras hoje tem apenas 2.000 pessoas “, disse Gerhard Flatz, diretor da KTC, acrescentando que a produção anual da empresa se situa nos cerca de dois milhões de peças de vestuário.

Com seu negócio baseado mais na expertise do que no volume de venda a preços baixos, a KTC quer investir tempo e dinheiro em questões como respeito, produtividade, transparência e sustentabilidade. “Estamos remunerando melhor nossos funcionários, que por consequência, estão mais motivados, além de conseguirmos reter por mais tempo, os grandes talentos, explica Flatz.

A tendência é que empresas como a KTC estejam, gradualmente, se tornando mais sintonizadas com o bem-estar do trabalhador e a ética. Será essa a tendência que vai redefinir o mapa global de produção da moda?

Fonte: The Business of Fashion

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Maria Alice Guedes

Maria Alice Guedes

Jornalista e escritora, autora do livro Desnudeios - Um retrato do homem moderno em suas relações de afeto.

2 thoughts on “Mudanças no mapa global de produção da moda

    • 18 de abril de 2016 at 18:04
      Permalink

      Olá Claudia,

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