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Dica de teatro: Monólogos da vagina

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Monólogos da Vagina é um espetáculo imperdível, a começar pelo tema explorado, lindamente, por Eve Ensler, a escritora, e a competência das três atrizes Maximiliana Reis, Cacau Melo e Adriana Lessa. Sem falar da adaptação e direção de Miguel Falabella na adaptação e direção do texto que o tornou o primeiro diretor no mundo a escalar três atrizes para, ao mesmo tempo, encenarem as narrativas das entrevistas originais colhidas por Eve Ensler.

Eve Ensler, autora de Monólogos da Vagina
Eve Ensler
Maximiliana Reis, Cacau Melo e Adriana Lessa
Maximiliana Reis, Cacau Melo e Adriana Lessa

 

 

 

 

 

 

 

Essa concepção, a pedido da própria autora que esteve presente na estreia brasileira, foi adotada mundialmente em todas as produções e assim permanece até hoje. Os direitos para produção brasileira foram adquiridos em 1998 pelo produtor Cássio L. Reis que assistiu a uma das primeiras performances da peça ainda apresentada pela própria autora Eve Ensler em Nova Iorque. Com ingressos esgotados em todas as apresentações, o espetáculo transformou-se em fenômeno de público e crítica no Rio de Janeiro e em São Paulo, ganhando 5 prêmios Qualidade Brasil: Melhor Espetáculo (Rio e SP), Melhor Direção (Rio e SP) e Melhor Atriz (Zezé Polessa).

Desde a sua primeira encenação em 1996, em Nova Iorque, Vagina Monologues foi traduzido em mais de 45 línguas, e realizado em mais de 120 países,  e ainda recriado como filme da HBO.

Quando um espetáculo é bom, você sai diferente de como entrou. E isso aconteceu comigo. Rimos muito, mas houve cenas que me fizeram derramar lágrimas rápidas, porque o tom de humor é tão forte, que nos leva a rir até mesmo da tragédia. As três atuais atrizes estavam estupendas. Ao final do espetáculo, o teatro lotado ‘levantou-se’ para aplaudi-las com entusiasmo e sutil gratidão.

Maximiliana Reis, Cacau Melo e Adriana Lessa

Ao sairmos nos deparamos com uma multidão de pessoas no hall do Teatro Gazeta. Havia tanta gente que mal conseguíamos caminhar em direção à porta principal. Eu olhava para os rostos das pessoas que também me olhavam, talvez porque meus olhos estivessem completamente molhados – de rir e de chorar. Monólogos da Vagina estavam vazando pelos meus olhos e poros. Ana e eu viemos no carro numa conversa meio fragmentada. Aquele tipo de conversa em que a ficha principal parece que ainda não caiu.

Alguns trechos soaram tão forte aos meus ouvidos que eu quis muito saber quem era essa mulher: Eve Ensler. O que teria motivado essa pessoa a escrever algo tão sério e encenado de forma tão comicamente comovente, a ponto de me fazer buscar por ela e conhecê-la, ao menos, um pouco. Queria ver seu rosto. Saber um pouco de sua história. Encontrei a poetisa, escritora, ativista Eve Ensler que viveu em sua cabeça, literalmente, como ela explica nessa poderosa palestra do TEDMulher, ao contar sobre sobre sua prolongada desconexão com seu corpo – e como dois acontecimentos chocantes a ajudaram a se conectar com a realidade, a fisicalidade do ser humano.

Para quem assistiu ao espetáculo e riu – e chorou, conheçam quem é a autora que viajou mais de 60 países ouvindo mulheres de todas as idades e particularidades em busca do significado e da importância da ‘vadiaina” como diz Beth (Adriana Lessa), num personagem tão bem construído que nos remete às melhores interpretações de Woopy Goldberg e nos faz ter vontade de estar com ela em seus workshops de valorização e prazer com a nossa vadiaina! Parabéns a todas que já interpretaram essa obra magnífica e de um sentido imensamente profundo para a humanidade.

Vejam a apresentação de Eve no TedMulher que começa assim:

Durante muito tempo, existia eu e meu corpo. O eu era composto de histórias, de anseios, de esforços,de desejos pelo futuro. O eu estava tentando não ser o resultado do meu passado violento, mas a separação do que já aconteceu entre eu e o meu corpo foi um resultado bastante significante. O eu estava sempre tentando se tornar algo, alguém. O eu somente existia na tentativa. Meu corpo frequentemente atrapalhava.

O eu era uma cabeça flutuante. Durante anos, eu usei somente chapéus. Era uma maneira de manter minha cabeça presa. Era uma maneira de me localizar. Eu me preocupava que se tirasse meu chapéu eu não estaria mais aqui. Eu tive um terapeuta que uma vez me disse, “Eve, você tem vindo aqui por dois anos, e, para ser honesto, jamais me ocorreu que você tinha um corpo.” Todo este tempo eu vivi na cidade, porque, para ser honesta, eu tinha medo de árvores. Eu nunca tive bebês porque cabeças não podem dar a luz. Bebês não saem da sua boca.

Como eu nunca tive nenhum ponto de referência para o meu corpo, eu comecei a perguntar outras mulheres sobre os seus corpos – em particular, suas vaginas, porque eu achava que vaginas eram meio que importantes. Isto me levou a escrever “Monólogos da Vagina” o que me levou obsessivamente e gradativamente a falar sobre vaginas em qualquer lugar que eu conseguisse. Eu fiz isso na frente de vários estranhos. Uma noite no palco, eu realmente entrei em minha vagina. Foi uma experiência extática. Isso me assustou, isso me energizou, e isso me transformou em uma pessoa motivada, uma vagina motivada.

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Maria Alice Guedes

Jornalista e escritora, autora do livro Desnudeios - Um retrato do homem moderno em suas relações de afeto.

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