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Suicídio avança silenciosamente sobre a humanidade

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Suicídio avança silenciosamente sobre a humanidade, tragando jovens e idosos como vítimas a cada 40 segundos.

As estatísticas são tão estarrecedoras que nos fazem duvidar da realidade. Mas ela é fato e nos leva a refletir: Que mundo é esse que estamos construindo? Para alguém desejar, pensar ou planejar tirar a própria vida, é porque sente na alma que nada mais vale a pena, ou que a morte significa libertar-se de algo terrível que oprime e angustia. Significa também um sentimento devastador de solidão e abandono, o que de qualquer forma, se traduz no fim da esperança na vida. Ou pelo menos, nesta vida.

A obra, O Mito de Sísifo, de Albert Camus, nos coloca frente a frente com essas questões complexas. Segundo Camus, o suicídio é o único problema filosófico. Muitos visualizam no suicídio a possibilidade de extirpar o absurdo da existência. No momento em que reflete se a vida merece ou não ser vivida, envolvendo-se com os devaneios do absurdo desse mundo, o homem principia o diálogo com o suicídio enquanto perspectiva de consciência e esperança. Nesse momento, se sente invadido e tomado por um sentimento de abandono e esvaziamento, que poderá interferir e influenciar sua vida. A complexidade da vida perante um mundo problemático que nos traz como garantia apenas a certeza da morte surge à consciência do homem. Na esperança, nos deparamos com outros caminhos. E por que tantas pessoas estão perdendo a esperança?

O Brasil de gente alegre e festiva como acreditamos, figura entre os 10 países de maior coeficiente de suicídios no mundo, sendo a terceira causa de morte na faixa etária de 15 a 29 anos, depois dos acidentes e homicídios. Ainda que a taxa de suicídio do Brasil seja mais baixa que a de outros países da América, entre 1980 e 2014, houve um aumento de 26% do suicídio de jovens. Entre os idosos e pessoas de meia-idade, os índices avançaram muito mais: 215,7% entre 1980 e 2014.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de um 1 milhão de pessoas por ano, cometem suicídio, ou seja, uma morte a cada 40 segundos. Apenas 28 países relatam possuir uma estratégia nacional para isso. No ano de 2020 esse número poderá chegar a 1,5 milhão. De cada um suicídio consumado, 10 a 20 pessoas tentam pôr fim a sua existência. De acordo com a agência das Nações Unidas, 75% dos casos envolvem pessoas de países onde a renda é considerada baixa ou média.

 

Mapa de suicídio no mundo

Por que milhares de pessoas estão tirando suas vidas?

Dr. Gilberto Labonia

Para o psiquiatra e psicoterapeuta Dr. Gilberto Labonia, o aumento do índice de suicídio entre os jovens está associado ao maior índice de transtornos mentais e consumo de drogas, principalmente o de bebidas alcoólicas. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os transtornos mentais atingem cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, representando 13% do total de todas as doenças. O Brasil é recordista mundial em prevalência de transtornos de ansiedade: 9,3% da população sofre com o problema. Ao todo, são 18,6 milhões de pessoas.

Falar sobre transtornos mentais ainda é um assunto delicado, explica Dr. Gilberto Labonia, mas o fato é que eles são bem mais comuns do que se imagina. “Apesar de doenças como esquizofrenia e psicose serem as primeiras lembradas ao se falar no assunto, elas não são as mais frequentes. No topo da lista estão a depressão e a ansiedade, além de transtornos de personalidade, que podem ser causados por fatores biológicos (genéticos), psicológicos (gestação, primeira infância, vínculos precoces) e sociais (cultura familiar, ambiente escolar e social), ou uso de substâncias tóxicas que afetam o cérebro”.

Os altos índices de transtornos mentais, como por exemplo, os transtornos depressivos que afetam 11,5 milhões de brasileiros, Dr. Gilberto esclarece que “em geral, manifestam-se na adolescência, período em que ocorrem mudanças importantes no cérebro. Na adolescência, naturalmente, ocorre uma reorganização de toda a estrutura cerebral, fundamental para a preparação da idade adulta. É um momento crucial na vida de todos nós”.

Quais são as consequências das interferências negativas no processo de desenvolvimento da criança e do adolescente?

Se algo interfere neste processo, como uso abusivo de drogas, principalmente maconha, ou se há problemas no desenvolvimento da personalidade devido a traumas, abusos variados, negligências, este processo de reestruturação cerebral fica complicado, defeituoso. Crianças com histórico de traumas de desenvolvimento ou abusos de diferentes naturezas, costumam demonstrar alterações de comportamento na adolescência e na vida adulta. Os maus tratos com as crianças, assédios de todos os tipos, negligências, predispõem a transtornos mentais variados, transtornos de personalidade com funcionalidade comprometida e suicídios dos adolescentes e jovens, explica o psiquiatra.

vínculo do apego, abordado por John Bowlby (1907 -1990), médico especializado em psiquiatria infantil, autor de vários livros, entre eles, Cuidado Materno e Saúde Mentalinfluencia na construção saudável da personalidade da criança. Em sua concepção original, o apego é definido como vínculo emocional que a criança desenvolve com seus cuidadores primários, responsáveis por fornecer a segurança emocional essencial para o desenvolvimento saudável da personalidade. Essa segurança dependerá, em grande parte, da disponibilidade, sensibilidade e responsividade destes cuidadores, que no ambiente doméstico seriam geralmente a mãe ou a avó, e na escola, os professores e outros profissionais.

É evidente, portanto, que a boa qualidade dos laços afetivos na infância representa um dos fatores determinantes para uma estruturação adequada da personalidade do adolescente, acarretando uma adolescência normal ou mais, ou menos conturbada. Considerando-se um período caracterizado por mudanças hormonais, auto afirmação e necessidade de aprovação por grupos e comunidades, a situação pode agravar-se ainda mais, frente ao confronto com as frustrações que abrangem a falta de perspectivas dos jovens no mercado de trabalho, o bullying nas escolas e o cyberbullying  das redes sociais e internet – cada vez mais comuns”, afirma Dr. Gilberto Labonia.

Baleia Azul é um desses jogos de desafios via Facebook  ou Whatsapp, que instiga os jogadores, na grande maioria adolescentes entre 12 a 17 anos, a cumprirem 50 tarefas envolvendo mutilações e lesões corporais, sendo a última delas tirar a própria vida. O misterioso jogo ganhou repercussão no Brasil no início de maio deste ano, quando uma adolescente de 16 anos foi achada morta dentro de uma represa no pequeno município de Vila Rica (Mato Grosso). Ela deixou para trás cartas onde falava sobre as regras do desafio, uma lista de tarefas com cronogramas marcados, e cortes nos braços e nas pernas. Desde então, uma série de informações desencontradas começaram a circular sobre o desafio. Em meio a um mar de boatos, no entanto, uma coisa é certa: a de que o jogo escancarou a necessidade de se discutir o tabu do suicídio entre adolescentes.

O relatório da OMS afirma que as tentativas de suicídio de adolescentes estão muitas vezes associadas a experiências de vida humilhantes, tais como humilhação ou rejeição familiar, fracasso na escola ou no trabalho ou conflitos interpessoais com um parceiro romântico.

Crescem os casos de suicídio entre idosos no Brasil

Mapa da Violência 2014, organizado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, aponta que, acima dos 60 anos, há oito suicídios por 100 mil habitantes, taxa maior que a registrada entre outros grupos etários. Entre 1980 e 2012 — período avaliado no estudo —, houve crescimento de 215,7% no número de casos entre os idosos. Da mesma forma que ocorre com os mais jovens, os homens são as principais vítimas. Aos 75 anos, de acordo com o Ministério da Saúde, a razão é de oito a 12 suicídios masculinos por um feminino.

O estudo da OMS também aponta que os homens cometem mais suicídio que as mulheres. Nos países ricos, a taxa de mortalidade de pessoas do sexo masculino é três vezes maior que a de óbitos envolvendo o sexo feminino. Sobre as causas, o relatório afirma que em países desenvolvidos a prática tem relação com desordens mentais provocadas especialmente por abuso de álcool e depressão. Já nos países mais pobres, as principais causas das mortes são a pressão e o estresse por problemas socioeconômicos. Muitos casos envolvem ainda pessoas que tentam superar traumas vividos durante conflitos bélicos, desastres naturais, violência física ou mental, abuso ou isolamento.

Por trás do desejo dos idosos de antecipar o fim da vida, estão as perdas e o acúmulo de problemas de saúde, em sua maioria doenças crônicas e incuráveis, muitas vezes dolorosas ou de tratamento penoso, associado a um isolamento social progressivo, causado pela viuvez, separações, distanciamento de filhos e netos. Em uma pesquisa sobre 51 casos de suicídio cometidos por pessoas com mais de 60 anos, identificou-se que o fator de maior frequência por trás do ato foi o isolamento social: ao investigar com familiares das vítimas, constatou-se que esse foi o motivo de 32,1% dos homens e 31,7% das mulheres.

Como ajudar os idosos?

Como ajudar os idosos

Falar abertamente sobre ideações suicidas com as pessoas de meia idade ou idosas deve ser a primeira iniciativa, orienta o psiquiatra e psicoterapeuta Dr. Gilberto Labonia:

Ao se notar qualquer sinal de ideação suicida, deve-se procurar um especialista. Nesses casos, costumo pedir que a pessoa com quem o idoso tem maior ligação ou conexão, permaneça junto com ele, durante 24 horas, pelo tempo que for necessário, pode ser por um dia ou mais, até que a ideia seja demovida, o que costuma acontecer”.

E quando os sinais não são notados ou percebidos pela família?

No artigo Influência dos problemas e conflitos familiares nas ideações e tentativas de suicídio de pessoas idosas, a enfermeira Raimunda Magalhães da Silva, professora de saúde coletiva da Universidade de Fortaleza, explica que para a família, esses sinais são ignorados por não acreditarem que o idoso seja capaz de praticar o suicídio, pela confiança de que estão dando a atenção que o idoso requer, pelo pouco tempo de convivência no domicílio ou na vida social, pelo pouco tempo de conversa com o idoso, por não criarem condições para ouvir as queixas, as lamentações e os questionamentos da pessoa, e por acharem que o idoso não deve participar de assuntos adversos da família e, sim, poupá-lo de preocupações. O idoso com habilidade física, mental e social (embora restrita) deve ser considerado pela família como membro que tem condições de opinar sobre assuntos inerentes à família e a si mesmo.

Apesar da gravidade e da dimensão do problema, a professora Raimunda Magalhães, que integrou um estudo em que foram entrevistados idosos de todas as regiões brasileiras que haviam tentado ou pensado em suicídio, afirma que o maior problema é a falta de recursos e de capacitação dos profissionais da saúdepara apreender as nuances existentes nas colocações sutis e ou no silêncio que o idoso faz durante a consulta.

E quanto aos jovens? Como identificar os sinais?

Como ajudar os jovens sobre suicídioOs suicídios resultam de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociológicos, culturais, e ambientais. Uma melhor detecção na comunidade, o encaminhamento para especialistas e a gestão do comportamento suicida são passos importantes na prevenção do suicídio.

O desafio chave da prevenção para o psiquiatra Dr. Gilberto Labonia, consiste em identificar as pessoas que estão em risco e que a ele são vulneráveis; entender as circunstâncias que influenciam o seu comportamento auto-destrutivo e estruturar intervenções eficazes. Consequentemente, é preciso treinar ‘conselheiros’ para desenvolver na comunidade, iniciativas para prevenir, assim como para lidar com o comportamento suicida. É muito importante também que os pais sejam participativos, sem serem perseguidores: Fique atento à mudanças de comportamento. Compartilhe projetos de vida. Abra espaço para diálogo. Adolescentes devem buscar aliados. Escolas podem criar iniciativas pela vida.

 Prestar atenção é o primeiro passo:

Os sinais do suicídio e como agir

Treinamento de professores e profissionais da saúde é fundamental

Com as crianças e jovens vivendo períodos cada vez mais longos nas escolas, é necessário criar um programa de treinamento de professores, afinal, eles passam muito tempo com as crianças e adolescentes e, precisam ser boas fontes de informação sobre questões de saúde mental relativas aos estudantes. A Organização Mundial da Saúde elaborou um programa de aconselhamento para professores, crianças e adolescentes sobre prevenção de suicídios.

Acesse o pdf da OMS aqui.

No Brasil, o Ministério da Saúde em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde e a UNICAMPtambém elaborou a Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, um Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental. Acesse aqui. 

CVV – Centro de Valorização da Vida – do Rio Grande do Sul, em parceria com o Ministério da Saúde, é o primeiro do país a disponibilizar um número de telefone 188  sem custo de ligação para prevenção do suicídio.  O CVV desenvolve outras atividades relacionadas a apoio emocional além do atendimento, com ações abertas à comunidade que estimulam o autoconhecimento e melhor convivência em grupo e consigo mesmo em todo o Brasil. A instituição também mantém o Hospital Francisca Julia que atende pessoas com transtornos mentais e dependência química em São José dos Campos-SP.

Quem somos e o que fazemos interfere diretamente naqueles que estão ao nosso redor. Precisamos entender que o ser humano tenta fazer de tudo para fugir do desamparo, rejeição e da angústia da solidão. Por mais delicada que seja a questão do suicídio, entremeada por receios e tabus, não podemos continuar omissos às causas e efeitos que se ampliam dia a dia, em razão de um mundo cada vez mais problemático, responsável por corromper a esperança, contagiando pessoas de descrença no amanhã. Como um dos possíveis antídotos para esse contágio, Dr. Gilberto Labonia nos deixa a seguinte mensagem:

Cultivar a vida espiritual, resgatar valores familiares e a fé, é nossa proteção.

Para trazer luz a esse tema difícil, lembre-se:
Onde quer que você esteja, seja a alma desse lugar…
Discutir não alimenta. Reclamar não resolve. Revolta não auxilia.

Desespero não ilumina. Tristeza não leva a nada.
Lágrima não substitui suor. Irritação intoxica. Deserção agrava.

Calúnia responde sempre com o pior.

Para todos os males, só existe um medicamento de eficiência comprovada:

Continuar na paz, compreendendo, ajudando, aguardando o concurso sábio do Tempo, na certeza de que o que não for bom para os outros não será bom para nós…

Pessoas feridas ferem pessoas.
Pessoas curadas curam pessoas.
Pessoas amadas amam pessoas.
Pessoas transformadas transformam pessoas.
Pessoas chatas chateiam pessoas.
Pessoas amarguradas amarguram pessoas.
Pessoas santificadas santificam pessoas.

Quem eu sou interfere diretamente naqueles que estão ao meu redor.

Acorde…
Se cubra de Gratidão, se encha de Amor e recomece…

O que for benção pra sua vida,  Deus te entregará, e o que não for, Ele te livrará!

Um dia bonito nem sempre é um dia de sol…
Mas com certeza é um dia de Paz.

 

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Maria Alice Guedes

Jornalista e escritora, autora do livro Desnudeios, e coach especializada em Psicologia Positiva.

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