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Psiquiatrização da Sociedade

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Milhões de pessoas saudáveis, incluindo crianças tímidas ou rebeldes, adultos abatidos e pessoas com fetiches, poderão ser erroneamente diagnosticadas como doentes mentais, de acordo com o novo manual de diagnóstico internacional, alertam especialistas na área. Estejam atentos para não cair nessas ciladas, principalmente no que diz respeito aos filhos. Pais em geral tem muitas dúvidas, e os de primeira viagem algumas mais acentuadas pela própria inexperiência. É natural o questionamento a respeito do comportamento dos filhos, afinal eles não vêm com manual, mas não por isso, devemos engolir guela abaixo, absurdos que podem passar por verdades para os mais desavisados.

Profissionais renomados do mundo inteiro estão indignados com a manobra que beneficia determinados interesses da indústria farmacêutica, que vive de doenças e não de cura. Numa análise contundente da nova revisão do importante Manual de Diagnósticos e Estatísticas de Doenças Mentais (DSM, na sigla em inglês), psicólogos e psiquiatras afirmam que as novas categorias de doenças mentais identificadas no manual são, no melhor dos casos, “absurdas”, e, no pior, “preocupantes e perigosas”.

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Muitas pessoas tímidas, abatidas moralmente, com um comportamento extravagante ou com vidas românticas pouco convencionais poderão ser consideradas mentalmente doentes, disse Peter Kinderman, chefe do Instituto de Psicologia da Universidade de Liverpool. “É desumano, não é científico e não vai ajudar ninguém.”

Os excessos do novo manual têm gerado críticas e preocupações. Mais de 11 mil profissionais da saúde já assinaram uma petição (disponível no site dsm5-reform.com) pedindo que a revisão da quinta edição do manual seja suspensa e reavaliada.

Simon Wessely, do Instituto de Psiquiatria do King’s College de Londres, afirmou que, se remontarmos à história, os especialistas podem questionar se tais rótulos são necessários. Segundo ele, o Censo de 1840, nos Estados Unidos, incluía apenas uma categoria de transtorno mental, mas em 1917 a Associação de Psiquiatria já reconhecia 59 tipos de transtorno. Esse número aumentou para 128 em 1959 e para 227 em 1980. Ele chegou a 360 nas revisões de 1994 e 2000.

Allen Frances, da Duke University, presidente da comissão que supervisionou a revisão anterior do manual, disse que o DSM-5 expandirá de maneira radical e irresponsável as fronteiras da psiquiatria, o que resultará no tratamento médico da normalidade, das diferenças individuais e da criminalidade.

David Pilgrim, da Britain’s Universityde Central Lancashire, ressalta que é difícil não evitar a conclusão de que o DSM-5 vai colaborar para os interesses das empresas farmacêuticas. Luto. Nick Craddock, do departamento de Neurologia e Medicina Psicológica da Cardiff University, cita a depressão como um exemplo-chave dos erros envolvidos no manual. Nas edições anteriores, uma pessoa que perdeu um ente querido e está abatida estaria expressando uma reação normal de dor, mas os critérios adotados no novo guia ignoram a morte do ente querido e se concentram somente nos sintomas. Assim, a pessoa será classificada como tendo uma depressão.

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Outros exemplos citados pelos especialistas como problemáticos incluem o jogo compulsivo, o vício na internet, a síndrome da apatia, e o transtorno de rebeldia resistente – quando uma criança recusa-se a atender aos pedidos da maioria e pratica ações para incomodar os outros. Isso significa que são crianças que dizem ‘não’ aos pais mais que um determinado número de vezes. Com base nesse critério, muitos de nós acharíamos que nossos filhos estão mentalmente doentes.

Para Jorge Alberto Costa e Silva, ex-presidente da Associação Mundial de Psiquiatria e diretor da divisão de saúde mental da Organização Mundial de Saúde (OMS) há uma psiquiatrização ocorrendo na sociedade. Já existem quase 500 tipos descritos de transtorno mental e do comportamento. Com tantas descrições, quase ninguém escaparia a um diagnóstico de problemas mentais. Se o sujeito é tímido e você forçar um pouquinho, ele pode ser enquadrado na categoria de fobia social. Se ele tem mania, leva um diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo. Se a criança está agitada na escola, podem achar que está tendo um transtorno de atenção e hiperatividade.

Coisas normais da vida estão sendo encaradas como patologias. Hoje em dia, se um indivíduo não tomar cuidado e passar desavisado pela porta de um psiquiatra pode entrar numa categoria dessas e sair de lá com um diagnóstico e um tratamento na mão.

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Maria Alice Guedes

Maria Alice Guedes

Jornalista e escritora, autora do livro Desnudeios, e coach com especialização em Psicologia Positiva.

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