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Zygmunt Bauman me contou essa história

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A amizade do Facebook por Zygmunt Bauman

Não vejo ninguém na atualidade com pensamento tão focado nas relações humanas como Zygmunt Bauman. Ele consegue ser transparente ao avaliar todo o sistema e sua interferência no nosso modo de vida. Uma de suas percepções notórias nos alerta para a ilusão da amizade que fazemos via Facebook. Fãs e seguidores aos borbotões tornaram-se alvo de pessoas comuns, tal qual de pequenas, médias e grandes organizações. Antes mesmo de avaliar o conteúdo de um blog, de uma fanpage ou de um site, observa-se o número de curtidas na página, a quantidade de cliques nos posts e o número de amigos e seguidores. Dizer que ‘tenho 500 amigos ou 5 mil’ é algo comum. Os famosos youtubers com milhões de visualizações assinam contratos publicitários milionários e são os novos garotos e garotas da propaganda.

À medida que aderimos às novas formas de comunicação de massa (as mídias digitais e sociais) – querendo ou não, aceitando ou não – estamos compartilhando também sutilezas da modernidade que afetam princípios e valores que nos levam a um afastamento e desvinculamento do verdadeiro significado das relações.  Assistindo à entrevista de Zygmunt Bauman, me chamou a atenção ouvi-lo dizer que é a primeira vez na história em que o mundo é realmente um único país, em certo sentido.

Aos 90 anos, fumando seu cachimbo, de maneira elegante, ele prossegue dizendo que nós somos agora interdependentes, e portanto em nossa agenda está o problema, não de construir um Estado-nação, não de construir uma comunidade local de qualquer tipo, mas de construir uma comunidade da humanidade. É inevitável. E todas as pessoas do século XXI terão que enfrentar esse problema.

23.04.2005 POZNAN TEATR OSMEGO DNIA OSEMKI SPOTKANIE Z PROF. ZYGMUNT BAUMAN FOT. TOMASZ KAMINSKI / AGENCJA GAZETA

 

E por que?

Entre várias razões, diz ele, por uma questão de identidade. O mundo pode estar ‘globalizado’, mas nós não somos globais. As mensagens publicitárias vendem um mundo sem fronteiras, quando na verdade, as fronteiras foram fechadas às milhares de pessoas que precisam de ajuda: os refugiados. Vimos isso viralizar por toda a internet e continuamos comprando a ideia de um mundo sem fronteiras como se isso representasse a verdade e a liberdade.

A diferença entre comunidade e rede

Me senti tão atraída pelas palavras de alguém que já viu tantas coisas, que me mantive atenta a algumas reflexões. Uma delas é questionar qual é a diferença entre comunidade e rede? A comunidade precede você, diz esse homem em tom de quem nos conta uma história tão longínqua que não nos recordamos mais. “A gente nasce numa comunidade. Por outro lado temos a rede. O que é uma rede? Ao contrário da comunidade, a rede é feita e mantida viva por duas atividades diferentes: Uma é conectar e a outra é desconectar.”

Atenta à voz mansa e serena desse grande contador que me ensina a discernir as consequências da conexão e desconexão, percebo que ele tem razão. E como se tivesse respondendo à minha pergunta que seria ‘e daí?’, ele responde:

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“Eu acho que a atratividade do novo tipo de amizade, o tipo de amizade do facebook como eu chamo, está exatamente aí, que é tão fácil de desconectar. É fácil conectar e fazer amigos. Mas o maior atrativo é a facilidade de desconectar. Imagine que o que você tem não são amigos online, conexões online, compartilhamento online, mas conexões off-line. Conexões de verdade são aquelas frente a frente, corpo a corpo, olho no olho. Então, romper relações é sempre um evento traumático. Você tem de encontrar desculpas, você tem que explicar, você tem que mentir com frequência e, mesmo assim, você não se sente seguro porque seu parceiro diz que você não tem direitos. Isso é difícil, mas na internet é tão fácil. Você só pressiona delete e pronto. Em vez de 500 amigos, você terá 499, mas isso será apenas temporário, porque amanhã você terá outros 500. E isso mina os laços humanos.”

Leia mais: Relações descartáveis. É isso que queremos?

 

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Maria Alice Guedes

Maria Alice Guedes

Jornalista e escritora, autora do livro Desnudeios - Um retrato do homem moderno em suas relações de afeto.

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